Perimenopausa e menopausa: qual é a diferença?
Menopausa é a data da última menstruação. Como só dá para ter certeza olhando para trás, ela é confirmada quando a mulher completa 12 meses seguidos sem menstruar, sem outra causa que explique a ausência. No Brasil, isso acontece em geral por volta dos 50 anos.
A perimenopausa é a transição que vem antes. Os ovários passam a funcionar de forma irregular, os ciclos ficam mais curtos ou mais longos e os hormônios oscilam bastante de um mês para outro. É nessa fase que boa parte das queixas aparece, às vezes com a menstruação ainda regular.
O período inteiro, que inclui a transição e os anos seguintes, é chamado de climatério. Quando a menstruação para antes dos 40 anos, fala-se em insuficiência ovariana prematura, que merece investigação específica e, na maioria das vezes, tratamento.
Quais são os sintomas da menopausa mais comuns?
A intensidade varia muito. Algumas mulheres passam pela transição quase sem queixas; outras convivem por anos com sintomas que atrapalham o sono, o trabalho e a vida a dois. Os mais frequentes são:
- Fogachos (ondas de calor): sensação súbita de calor no rosto, pescoço e tronco, com vermelhidão e suor, que dura alguns minutos.
- Suores noturnos, que acordam a mulher e molham a roupa de cama.
- Insônia ou sono fragmentado, muitas vezes agravado pelos fogachos.
- Irritabilidade, ansiedade, choro fácil ou humor mais deprimido.
- Secura vaginal, ardor e dor na relação sexual.
- Queda da libido.
- Ganho de gordura abdominal, mesmo sem grande mudança no peso.
- Dores articulares e musculares.
- Névoa mental: dificuldade de concentração e pequenos esquecimentos.
O que muda no corpo a longo prazo
Além do desconforto do dia a dia, a falta de estrogênio traz mudanças silenciosas, que não doem, mas pesam com os anos.
Perda de massa óssea
Nos primeiros anos após a menopausa a perda óssea se acelera. Com o tempo, isso pode levar à osteopenia e à osteoporose, que aumentam o risco de fratura de punho, coluna e quadril. A densitometria óssea, solicitada conforme a idade e os fatores de risco, ajuda a acompanhar essa evolução.
Coração e metabolismo
O estrogênio tem efeito protetor sobre os vasos. Depois da menopausa, o LDL tende a subir, a gordura se desloca para o abdômen e a resistência à insulina fica mais comum. O risco cardiovascular da mulher se aproxima do masculino, o que torna o controle de pressão, colesterol e glicemia ainda mais importante.
Quando procurar a endocrinologista
Não é preciso esperar o desconforto ficar insuportável. Vale marcar uma avaliação quando:
- Os fogachos ou a insônia atrapalham o trabalho, o humor ou as relações.
- A menstruação parou antes dos 40 anos ou ficou muito irregular antes dos 45.
- Há sangramento depois de 12 meses sem menstruar, o que sempre precisa ser investigado.
- Houve ganho de peso ou alteração de colesterol e glicemia durante a transição.
- Existe fratura após queda leve ou história de osteoporose na família.
- A mulher quer entender se pode ou não usar terapia hormonal.
Quais são as opções de tratamento?
Na consulta, a médica revisa a história menstrual, as queixas, os medicamentos em uso e o histórico pessoal e familiar de câncer, trombose e doença cardiovascular. Em mulheres acima de 45 anos com quadro típico, o diagnóstico é clínico. Os exames que a médica pode solicitar servem para avaliar tireoide, metabolismo e ossos, e para checar a segurança de cada opção.
O tratamento é escolhido a partir dos sintomas, do risco individual e da preferência da paciente.
Terapia hormonal, quando indicada
A terapia hormonal é a opção com mais evidência para aliviar fogachos e suores noturnos, e também protege os ossos. Segundo as sociedades brasileiras de endocrinologia e de ginecologia, os benefícios tendem a superar os riscos quando ela começa antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos após a menopausa, em mulheres sem contraindicação.
Histórico de câncer de mama, trombose, infarto, AVC ou doença grave do fígado pesa contra o uso. O tipo de hormônio, a via e o tempo de tratamento são decididos em consulta e revistos periodicamente.
Alternativas não hormonais
Para quem não pode ou não quer usar hormônios, há medicamentos não hormonais que reduzem os fogachos, como alguns antidepressivos usados com essa finalidade e outras classes indicadas caso a caso. Para a secura vaginal, hidratantes e lubrificantes ajudam, e o estrogênio vaginal em baixa dose age apenas no local.
Estilo de vida
Atividade física regular, com exercício de força, ajuda a preservar músculo e osso e melhora o sono. Reduzir o álcool, parar de fumar, manter horários de sono e cuidar da alimentação diminuem a intensidade de várias queixas e o risco cardiovascular.
E os implantes hormonais?
A Dra. Denise não trabalha com implantes hormonais (os chamados "chips"). A preferência é por formulações aprovadas, com dose conhecida, que podem ser ajustadas ou suspensas quando necessário, sempre com acompanhamento clínico e de exames.
Avaliação dos sintomas da menopausa em Brasília
Se os sintomas da menopausa estão atrapalhando a sua rotina, uma consulta com endocrinologista para menopausa em Brasília ajuda a entender quais opções são seguras no seu caso. A Dra. Denise Gottsch avalia sintomas, risco cardiovascular, saúde óssea e metabolismo antes de propor um plano individual. O atendimento é presencial na Asa Sul, em Águas Claras e em Taguatinga, e o agendamento é feito pelo WhatsApp do site, com a Helen.
Perguntas sobre sintomas da menopausa
Os sintomas da menopausa começam antes de a menstruação parar?
Sim. Na perimenopausa, que pode durar alguns anos, os hormônios oscilam e já aparecem fogachos, insônia, irritabilidade e ciclos irregulares. A avaliação médica ajuda a confirmar a fase e a descartar outras causas, como alterações da tireoide.
Reposição hormonal causa câncer de mama?
Depende. O risco varia com o tipo de hormônio, o tempo de uso, a idade e o histórico da mulher, e a terapia só com estrogênio, indicada para quem não tem útero, tem perfil diferente da terapia combinada usada por muitos anos. Quem já teve câncer de mama, em geral, não deve usar. A decisão é individual e inclui mamografia em dia e reavaliação periódica.
Preciso dosar hormônios para saber se estou na menopausa?
Não, na maioria dos casos. Em mulheres acima de 45 anos com queixas típicas e alteração do ciclo, o diagnóstico é clínico. A dosagem de FSH pode ser útil em situações específicas, como suspeita de menopausa antes dos 40 anos, uso de anticoncepcional ou retirada do útero.
Ganhar peso na menopausa é inevitável?
Não. A queda do estrogênio favorece o acúmulo de gordura na barriga e a perda de músculo, e o sono ruim aumenta a fome. Mas alimentação ajustada, exercício de força e controle dos fogachos e da insônia fazem diferença. Quando há obesidade ou resistência à insulina, o acompanhamento com a endocrinologista inclui avaliar se existe indicação de medicamento.
Tratamento com a Dra. Denise Gottsch
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Fontes e referências
- The 2022 hormone therapy position statement of The North American Menopause Society. North American Menopause Society, 2022.
- Treatment of Symptoms of the Menopause: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Endocrine Society, 2015.
- The 2023 nonhormone therapy position statement of The North American Menopause Society. North American Menopause Society, 2023.
Escrito e revisado pela Dra. Denise Linhares Pereira Göttsch, médica endocrinologista (CRM 20530/DF · RQE Nº 15968 · RQE Nº 17126). Artigo informativo: não substitui a consulta médica nem orienta o uso de medicamentos. Como produzimos este conteúdo.
